Hoje eu a vi.
Aquela que um dia foi meu ídolo, meu exemplo de
decisão, determinação e conquista.
Aquela que me inspirava na busca de uma vida com
liberdade, autonomia, respeito e dignidade.
Moça miúda, traços bem feitos, físico
delicado, porém, de personalidade forte e audaciosa.
Admirada por outras, tão altivas quanto ela e
odiada pelas covardes e invejosas. Sempre muitíssimo bem vestida,
circulava pelo interior do importante banco internacional, deixando
no rastro o cheiro do perfume bom e o barulhinho dos saltos dos
sapatos finos e elegantes.
No início dos anos 70, eu não conhecia muitas
mulheres que dirigiam, mas eu a conhecia e ela dirigia. Mas não
dirigia um carro qualquer, dirigia um karmann guia, VERMELHO E
CONVERSÍVEL..........
Era época das rodas de samba, não como se
concebe hoje, encontro de quem é “povão”, era um “evento”
dos considerados “descolados” da época e frequentado pelos
rapazes, basicamente pelos rapazes.
Não sei se por apreciar o gênero musical ou só
pra desafiar, ela ia.
E quando chegava, desestruturava até o mais
machão do pedaço, não porque chegasse chegando, porque sempre
exercitou seu direito de ir e vir (um absurdo para a época), sem
alarde, sem queimar soutien, sem perder o charme e a feminilidade.
Apenas chegava.
Emprego tinha 3, porque quando queria, ela tinha e
sempre com recursos próprios, fruto de seu trabalho.
Desde muito cedo os pais perceberam que era melhor
economizar o “Não”, precisavam de argumentos sólidos para
demovê-la de alguma decisão tomada.
E assim seguiu a moça, livre, confiante,
realizadora, altiva e segura.
Até que um dia........ah um dia!!!...........ah o
dia!!!............que dia!!!!
O dia em que os caminhos se cruzaram.
Italianinho marrento, topetudo, desafiador, não
digo sedutor porque não tinha elaboração para tanto, mas ela
estava muito frágil para perceber isso e, pela primeira vez na vida,
se deixou conduzir por ele.
Seu único “mérito” foi que, para sorte dele
e azar dela, encontrou-a frágil pela morte do pai tão amado por
ela e, talvez, querendo ocupar o vazio no peito com outro amor,
mergulhou de cabeça.
Ele dizia que o jeito dela o tinha cativado, com o
passar do tempo, demonstrou que o jeito dela foi o espelho por onde
ele percebeu tudo aquilo que ele NÃO era.
E foi assim que começou a destruir o que ele não
conseguia ser.
É certo que só nos fazem o que permitimos, mas a
covardia do ataque durante a fragilidade é golpe dos covardes, isso
é fato.
Os anos que se seguiram foram ocupados, por ele,
na destruição daquela moça bonita e segura.
Quando foi embora, porque ninguém fica em terra
destruída, levou com ele muito mais do que os bens materiais que ela
possuia quando se conheceram.
Levou a alma dela, mas deixou-lhe 2
filhas..........que ela teve que criar sozinha, evidentemente.
Hoje, ela é uma senhora, ainda de traços bonitos
e delicados, mas sem o brilho no olhar, sem nenhuma confiança em si
mesma, com a vida à deriva e os pensamentos como areia movediça.
Não sei se em respeito ao passado ou se por
acreditar que ela esteja presa em algum canto, dentro de si mesma ,
mas ainda possuidora da mesma força que sempre teve, eu olho pra ela
e ainda consigo ver a moça bonita.
Chamo pela moça bonita, convido-a a sair de si,
digo-lhe que o algoz já foi embora e, embora ainda muito assustada,
eu percebo que ela vem à janela, ela ainda anseia por ver o mundo.
Todos tem certeza que a moça bonita morreu, que
essa que se arrasta por aí é só um espectro.
Mas não é, ela é a moça bonita que ainda está
assustada com o rastro de destruição deixado pelo furacão que
assolou-lhe a vida.
Todos que cruzam o nosso caminho, tem uma função.
Na minha vida, a função dela foi mostrar que o
mundo ia além do meu portão.
A minha função, na vida dela, é chamar a moça
de volta pro mundo,
E eu chamo e chamarei sempre a moça.
Vem moça, vem.
Fui ver o mundo pela sua mão.
Tome a minha e venha, volte, olhe,
sinta, VIVA!!

Coragem,luta e muito animo!!!
ResponderExcluirÉ o que tenho tentado passar pra ela, Anônimo.
ExcluirVamos torcer por ela.
Obrigada pelo comentário.
Songa by Monga...entendi seu recado.
ResponderExcluirE como vc eu tenho Fé e continuo a torcer por ela.
Eu é que agradeço!!!
Eu acho, na minha humilde opinião, que se a moça não sai, o topetudo continua vencendo, mesmo sem saber. Como diz o poeta: Reconhece a queda, e não desanima. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Acho que jamais voltamos ao estado anterior, mas nossa essência não se perde (e tanto é assim que a moça continua lá e vem a janela, as vezes). Diariamente somos outros e outras. Festejemos o nosso eu de hoje, e aguardemos o de amanhã...
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